Pequenos momentos... – Dia 30, por Pedro.
Começamos com a discussão sobre o livro do Stan, e constatamos que os conceitos vem sendo retrabalhados, com novos exemplos e situações. Não apresenta muitas novidades, mas é bom para fixarmos estes conceitos principais. Fé cênica, linha de ação, essas coisas, memória das emoções, sua relação com a memória das sensações, enfim. Sempre tem alguma coisa nova, como atentar para o senso de medida.
Aquecemos com a corda. Dei um nó unindo as duas extremidades e usamo-la para aquecer, puxando e repuxando, alongando. Movíamo-nos dentro da corda ou fora, mas sempre segurando nela, e mantendo a corda sob tensão. Como os jogos de movimento com bastão, estes com corda estimulam nosso corpo a agir sem racionalizar, a reagir em prontidão. E a integrar os movimentos do grupo todo, uns afetando os outros, é preciso prestar atenção até para não machucar o colega. Entrega ao movimento e concentração no momento. Também praticamos o equilíbrio em roda, segurando na corda, e não dando as mãos.
Fiz a pergunta que não quer calar, e me disseram que foi Lee Oswald mesmo, a mando da CIA. Já sobre o uso das imagens neste momento de criação, o Bruno fez um comentário pertinente; disse que, enquanto está passando a cena, concentra-se na imagem do legionário em cima do muro, que lhe transmite a sensação de desconfiança, molda sua face de acordo com a imagem. Sem levar em conta que o personagem foi criado a partir de uma imagem, estamos agora focados no que podemos retirar delas neste momento de refinação, detalhamento da cena.
O Bruno mesmo afirma que poderia usar outra expressão de desconfiança, mas que se concentra na que escolheu. É uma base mais concreta? O resultado é satisfatório, sua expressão é viva e transmite o sentimento identificado. Dizem que técnica é um modo mais rápido (ou confiável) de se atingir o objetivo, então acho que é isso mesmo; ele poderia transmitir a desconfiança criando a postura e movimentação aleatoriamente, livremente, e chegaríamos a um personagem e cena verdadeiros, eventualmente. Com a imagem apropriada e bem trabalhada, espero termos ganhado tempo.
Este foi um exemplo de uso da imagem para um detalhe de um personagem, já em uma cena em construção, sendo ensaiada. Até agora havíamos usado as imagens para compor personagens genericamente, ou vários momentos destes, mas ainda não atentando para o momento específico da cena. Este trabalho pode acrescentar muito agora na composição do Jejuador, podemos identificar seus momentos, as diferentes cenas e o que ele passa em cada uma, qual o sentimento presente nelas.
Qual imagem, das tantas que temos para o Jejuador, mais forte se manifesta em cada cena. Ou quais elementos de quais imagens. As imagens foram escolhidas de acordo com o sentimento que elas nos evocam a partir dos sentimentos que encontramos no texto, os elementos componentes das imagens foram assim também analisados; agora podemos usá-los na prática, experimentar direto a imagem, os sentimentos estando subjacentes. Não é faz cara de triste, e sim usa a imagem tal. Prático, concreto e físico.
Enfim, partiturar a composição do personagem em cima das imagens trabalhadas. Experimentar até escolher a melhor.
Hoje continuamos com a cena dos fiscais, que melhorou bastante. Fizemos o estudo de significado de cada fala; lendo, apontamos para pausas, notadamente onde há uma mudança de intenção, e onde inserir olhares ou uma interação física, além do texto. Parece estranho escolher pausas e reações sentado, soa arbitrário, mas, na prática, ajuda muito o ator a se soltar em cena. Primeiro porque não imponho (nem impomos) nada, desvendamos os significados e damos exemplos de como estas relações, sentimentos, cumplicidades, desconfianças, etc., podem ser expressas.
O ator não é obrigado a usar um determinado gesto, ou fazer uma expressão, ao contrário, ele vai para a cena sabendo qual é a relação dele com o outro em cada momento, com uma gama de idéias a serem exploradas, possibilidades que ele vai experimentar conforme o momento. A idéia é ampliar, nunca reduzir.
Reduzir nós vamos em breve. Delimitar, definir. Em cena, escolher para onde vira, quanto anda, que gesto usa, quanto tempo dura, etc. Começamos algo assim com as cenas curtas, já podemos introduzir na dos fiscais, pois já temos base suficiente; a relação entre o Jejuador e os fiscais está desenvolvida, cada um destes tem suas características definidas. Os jogos de cena podem ser mais explorados ainda, talvez nas improvisações paralelas de que falei. Também quero fazer o trabalho de desenvolvimento de personagem em atividades típicas.
O resultado de hoje foi bastante satisfatório, mesmo que tenhamos usado apenas uma hora para ensaiar a cena (poderíamos ter trabalhado mais coisas, é verdade). Estamos encontrando um tom para o Jejuador nesta cena, surreal mas não caricato, e suas relações com os outros, entendendo como se sente em cada situação. Não é fácil, pois ele é muito diferente das pessoas que conhecemos no dia-a-dia. Sugeri o estudo de desarranjados mentais, que são pessoas reais, mas que agem e se portam de modo peculiar, assim como o Jejuador.
O fiscal da Lu está chegando, ela está mais fazendo (vivendo) a cena do que sendo engraçada agora que entendemos seus micro-objetivos. O fiscal do Bro continua legal, o momento em que troca olhares com o Jejuador (com a lanterna) é vivo, expressivo, belo e engraçado. Podemos explorar mais seus gestos Johnny Bravo. Talvez também realçar o estilo pingüim do outro.
Johnny Bravo e Tonho da Lua na Marcha dos Pingüins...
E o texto decorado no próximo ensaio.
Aquecemos com a corda. Dei um nó unindo as duas extremidades e usamo-la para aquecer, puxando e repuxando, alongando. Movíamo-nos dentro da corda ou fora, mas sempre segurando nela, e mantendo a corda sob tensão. Como os jogos de movimento com bastão, estes com corda estimulam nosso corpo a agir sem racionalizar, a reagir em prontidão. E a integrar os movimentos do grupo todo, uns afetando os outros, é preciso prestar atenção até para não machucar o colega. Entrega ao movimento e concentração no momento. Também praticamos o equilíbrio em roda, segurando na corda, e não dando as mãos.
Fiz a pergunta que não quer calar, e me disseram que foi Lee Oswald mesmo, a mando da CIA. Já sobre o uso das imagens neste momento de criação, o Bruno fez um comentário pertinente; disse que, enquanto está passando a cena, concentra-se na imagem do legionário em cima do muro, que lhe transmite a sensação de desconfiança, molda sua face de acordo com a imagem. Sem levar em conta que o personagem foi criado a partir de uma imagem, estamos agora focados no que podemos retirar delas neste momento de refinação, detalhamento da cena.
O Bruno mesmo afirma que poderia usar outra expressão de desconfiança, mas que se concentra na que escolheu. É uma base mais concreta? O resultado é satisfatório, sua expressão é viva e transmite o sentimento identificado. Dizem que técnica é um modo mais rápido (ou confiável) de se atingir o objetivo, então acho que é isso mesmo; ele poderia transmitir a desconfiança criando a postura e movimentação aleatoriamente, livremente, e chegaríamos a um personagem e cena verdadeiros, eventualmente. Com a imagem apropriada e bem trabalhada, espero termos ganhado tempo.
Este foi um exemplo de uso da imagem para um detalhe de um personagem, já em uma cena em construção, sendo ensaiada. Até agora havíamos usado as imagens para compor personagens genericamente, ou vários momentos destes, mas ainda não atentando para o momento específico da cena. Este trabalho pode acrescentar muito agora na composição do Jejuador, podemos identificar seus momentos, as diferentes cenas e o que ele passa em cada uma, qual o sentimento presente nelas.
Qual imagem, das tantas que temos para o Jejuador, mais forte se manifesta em cada cena. Ou quais elementos de quais imagens. As imagens foram escolhidas de acordo com o sentimento que elas nos evocam a partir dos sentimentos que encontramos no texto, os elementos componentes das imagens foram assim também analisados; agora podemos usá-los na prática, experimentar direto a imagem, os sentimentos estando subjacentes. Não é faz cara de triste, e sim usa a imagem tal. Prático, concreto e físico.
Enfim, partiturar a composição do personagem em cima das imagens trabalhadas. Experimentar até escolher a melhor.
Hoje continuamos com a cena dos fiscais, que melhorou bastante. Fizemos o estudo de significado de cada fala; lendo, apontamos para pausas, notadamente onde há uma mudança de intenção, e onde inserir olhares ou uma interação física, além do texto. Parece estranho escolher pausas e reações sentado, soa arbitrário, mas, na prática, ajuda muito o ator a se soltar em cena. Primeiro porque não imponho (nem impomos) nada, desvendamos os significados e damos exemplos de como estas relações, sentimentos, cumplicidades, desconfianças, etc., podem ser expressas.
O ator não é obrigado a usar um determinado gesto, ou fazer uma expressão, ao contrário, ele vai para a cena sabendo qual é a relação dele com o outro em cada momento, com uma gama de idéias a serem exploradas, possibilidades que ele vai experimentar conforme o momento. A idéia é ampliar, nunca reduzir.
Reduzir nós vamos em breve. Delimitar, definir. Em cena, escolher para onde vira, quanto anda, que gesto usa, quanto tempo dura, etc. Começamos algo assim com as cenas curtas, já podemos introduzir na dos fiscais, pois já temos base suficiente; a relação entre o Jejuador e os fiscais está desenvolvida, cada um destes tem suas características definidas. Os jogos de cena podem ser mais explorados ainda, talvez nas improvisações paralelas de que falei. Também quero fazer o trabalho de desenvolvimento de personagem em atividades típicas.
O resultado de hoje foi bastante satisfatório, mesmo que tenhamos usado apenas uma hora para ensaiar a cena (poderíamos ter trabalhado mais coisas, é verdade). Estamos encontrando um tom para o Jejuador nesta cena, surreal mas não caricato, e suas relações com os outros, entendendo como se sente em cada situação. Não é fácil, pois ele é muito diferente das pessoas que conhecemos no dia-a-dia. Sugeri o estudo de desarranjados mentais, que são pessoas reais, mas que agem e se portam de modo peculiar, assim como o Jejuador.
O fiscal da Lu está chegando, ela está mais fazendo (vivendo) a cena do que sendo engraçada agora que entendemos seus micro-objetivos. O fiscal do Bro continua legal, o momento em que troca olhares com o Jejuador (com a lanterna) é vivo, expressivo, belo e engraçado. Podemos explorar mais seus gestos Johnny Bravo. Talvez também realçar o estilo pingüim do outro.
Johnny Bravo e Tonho da Lua na Marcha dos Pingüins...
E o texto decorado no próximo ensaio.

0 Comments:
Postar um comentário
Links to this post:
Criar um link
<< Home